Uma breve história do neoliberalismo

O termo neoliberalismo foi cunhado pelo Alexander Rüstow na Conferência de Lippman em 1932 (Hartwich, 2009). Na época significava exatamente o que Walter Eucken, da Escola de Friburgo chamou de ordoliberalismo. Ou seja, era um resgate do liberalismo clássico, termo que havia sido corrompido por Mises com o seu Liberalismus. Mais tarde, Milton Friedman reitera Rüstow, porém sem dar-lhe crédito (coisa que Friedman era mestre em fazer):

“Neo-liberalismo aceitaria a ênfase liberal do séc XIX na importância fundamental do indivíduo, mas trocaria o objetivo do laissez faire do séc XIX como um meio para este fim pelo objetivo da ordem competitiva. Buscaria usar a competição entre os produtores para proteger os consumidores de serem explorados por eles, a competição entre os empregadores para proteger os trabalhadores e os proprietários, e a competição entre os consumidores para proteger os próprios empreendimentos. O Estado fiscalizaria o sistema, estabelecendo condições favoráveis à competição e a evitar monopólios, fornecer uma fundação monetária estável, e aliviar a miséria e extrema pobreza. Os cidadãos estariam protegidos do Estado por um mercado privado livre; e um do outro pela preservação da competição.” (Friedman, 1951)

Contudo entre 1951 e 1955, Friedman mudou de ideia, especialmente sobre as leis anti-cartel, que ele elogia em 51 e em 55 troca por abertura comercial. Ou seja, a solução para evitar oligopólios seria a ameaça de entrada de empresas estrangeiras. Dessa forma, foi se aproximando do minarquismo cada vez mais, defendendo cada vez mais a ausência do Estado na economia. Ele se contrapunham aos keynesianos americanos – da América do Norte à América do Sul – que haviam por sua vez transformado Keynes em nacional desenvolvimentismo. Com isso Friedman carregou o termo consigo, e como era o economista mais influente de seu tempo, o termo colou nele. No final, neoliberalismo foi sintetizado pelo Consenso de Washington proposto por John Williamson 1989 (Williamson, 2004):

  1. Privatizações e desregulação de mercados
  2. Abertura comercial e ao capital estrangeiro
  3. Câmbio e juros flutuante
  4. Disciplina fiscal, repriorização dos gastos públicos e reforma tributária

Então, neoliberalismo é liberalismo ou libertarianismo?

 


FRIEDMAN, Milton, Neo-Liberalism and its Prospects, Farmand, 17/02/1951.

HARTWICH, Oliver Marc, Neoliberalism: The Genesis of a Political Swearword, The Centre for Independent Studies, Occasional Paper 114, 21, May 2009.

WILLIAMSON, John, A Short History of the Washington ConsensusFundación CIDOB, Conference Paper, “From the Washington Consensus towards a new Global Governance,” Barcelona, September 24–25, 2004.